Quem nunca se apaixonou no Koni da Rua México?
Tocando aquele Cartola que fica até difícil de ouvir no fone de cinco e noventa e nove que está plugado no celular.
Mas tocando Cartola.
Para criar o clima de paixão, porque é a Marisa Monte cantando.
E que gata essa, a da paixão.
Uma gata de um metro e quase sessenta ou um metro e sessenta e pouco.
Aproximadamente um metro e sessenta.
Dos bons.
Uma gostosa, ele pensa. De uma gostosura particular, fora do padrão. Mas quem se importa com o padrão?
Uma gata assim, fora do padrão, é como o hamburguer de um restaurante fino.
Também entope as suas artérias, mas com muito mais classe que um BigMac.
Essa da Rua México estava bonita até mastigando um temaki de Filadélfia.
Ela se levantou e jogou fora o lixo da bandeja, demonstrando grande caráter e consciência social.
(além das belas coxas)
E quando ela se levantou, revelou um bumbum moldado pelas mãos dos mais finos artesãos anais.
Um paradoxo glúteo. Uma bunda que parecia sensível e delicada, mas ao mesmo tempo violenta.
Uma bunda com qualidades humanas.
Uma bunda com personalidade.
Antes de ir embora e deixar o apaixonado,
embasbacado e sujo de molho shoyu,
Ela levanta o braço à meia-altura para abrir a porta e revela uma tatuagem.
Alguma coisa escrita em outra língua por trás do braço. Talvez paz, ou amor.
O apaixonado acredita que é uma frase de uma poesia, ou uma letra de música.
Para valorizar sua gata.
Ele observa a tatuagem, se apaixona pela tatuagem, para ele até a tatuagem é gostosa.
Ela abre a porta e pisa fora do Koni para sair.
No exato momento em que a Marisa Monte para de cantar, os olhos dele passeiam, uma última vez por aquele corpo e recaem, uma última vez, naquela bunda.
Bem no meio dela.
E ali, fitando com todo o seu desejo, com toda a sua paixão,
essa paixão que ataca de repente e que nunca será satisfeita,
ele viu.
Naquele cu ele enxergou uma alma.
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